A magnífica coleção de joias indianas

A Índia está sempre no meu radar. Como joalheiro, não posso deixar de me inspirar nesse país que tem as joias como um dos pilares da sua cultura. E é de lá, mais uma vez, que trago inspirações para vocês que amam a arte da joalheria. Cerca de 400 tesouros da coleção Al Thani, uma das mais incríveis de joias indianas, serão leiloados pela Christie´s, em junho, durante o no evento Maharajas & Mughal.

Mais do que peças exuberantes, essa seleção mostra a magnífica história da joalheria indiana dos imperadores mongóis que governaram a Índia por mais de três séculos, até as obras-primas modernas da JAR e o melhor joalheiro contemporâneo da Índia, Bhagat. Não é pouca coisa, meninas! Ali tem, reunidos, muita história, muita arte e, naturalmente, muita riqueza reunida.

Eu vi algumas peças e confesso que tenho até dificuldade em selecionar para vocês as mais importantes, pois o acervo é realmente impressionante, seja do ponto de vista das gemas espetaculares ou do trabalho de irreparável de ourivesaria. Exemplo dessa riqueza é o colar de diamantes e esmeraldas, do final do século XIX, e o ornamento de turbante emplumado feito para o Maharaja de Nawanagar em 1907, que apresenta mais de 150 quilates de diamantes. Ele foi vendido pela última vez em leilão por US $ 1,8 milhão pela Christie’s em 2010.

Outro ponto bastante interessante de se notar nessa coleção é o rico diálogo criativo entre o oriente e o ocidente. No final do século XIX e início do século XX, os marajás encomendaram peças especiais às grandes joalherias europeias, entre elas a Cartier. A grife fez, entre outras peças, uma gargantilha de diamantes e pérolas de 1931 foi encomendado por Maharaja Bhupinder Singh de Patiala. Ele foi um dos clientes indianos mais importantes da casa nas décadas de 1920 e 1930, muitas vezes viajando para Paris com baús cheios de pedras preciosas de seu tesouro para a Cartier para criar novas criações.

As peças que irão a leilão pertencem ao xeque Hamad bin Abdullah Al Thani, do Catar, que inspirou-se para começar a acumular esses tesouros depois de ver a exposição Maharaja, de 2009, no Victoria and Albert Museum. Desde então, ele adquiriu mais de 6 mil objetos e obras de arte, dos quais a Christie leiloará menos de 10% de toda a coleção. Muitas peças foram exibidas em museus de prestígio em todo o mundo nos últimos cinco anos, incluindo o V & A, o Metropolitan Museum of Art em Nova York , o Grand Palais em Paris e o Palace Museum em Pequim.

A renda arrecadada com as vendas apoiarão as iniciativas em andamento da The Al Thani Collection Foundation, que abrange desde exposições, publicações e palestras até patrocínios de projetos em museus ao redor do mundo. A coleção inteira estará à vista em Nova York de 14 a 18 de junho, antes do leilão de 19 de junho. Quer quiser ir comigo conferir in loco esses tesouros levanta a mão! rsrs…

Beijo, beijo!

Miguel Alcade

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